Pargo no forno com batatinhas e abóbora

Cá em casa tentamos comer peixe pelo menos 2 a 3 vezes durante a semana e quando o meu marido "deixa", pelo menos uma vez, comemos uma refeição vegetariana. Mas por vezes dou com ele a ir directamente à dispensa, abrir uma lata de conserva para acompanhar uma refeição vegetariana, homens!

Esta receita vem a propósito da mistura de especiarias que publiquei a semana passada, aqui está uma boa solução para utilizar a especiaria da paella, num prato perfeitamente banal e sem qualquer ligação com Espanha.

Adoro comida com fruta, habitualmente é usada mais em pratos de carne. Desta vez, arrisquei a usar umas uvas num prato de peixe, também sei que as uvas não ficam propriamente bonitas depois de irem ao forno, mas eu adorei o sabor que juntamente com as batatas e a abóbora combinam na perfeição.

Penso que a época de refeições de forno, está oficialmente aberta, nós por cá adoramos.

Até para a semana!


Ingredientes: (2 pessoas)
1 pargo fresco (1kg)
1 ramo de tomilho limão
1/2 cebola (média)
1 cacho de uvas Red globe
azeite q.b.
mostarda e pimenta de doer q.b.

3 batatas médias
300gr de abóbora (eu usei da moranga)
1 colher de sopa de azeite
1 colher de chá de especiarias para paella
sal de pimenta d'espelette q.b.
2 talos de alecrim fresco

Pré aqueça o forno a 200º

Amanhe o peixe, lave e retire o excesso de água com um guardanapo ou deixe secar ao ar se tiver tempo. Recheie o peixe com folhas de tomilho fresco e caso goste, junte umas uvas.

Numa travessa própria para ir ao forno coloque, um fio de azeite, a cebola cordada em gomos e as uvas, regue com mais um fio de azeite e coloque alguns talos de tomilho limão.


Junte o peixe e tempere com, mostarda em grão, pimenta moída e sal (eu usei sal preto com comprei aqui), junte mais um fio de azeite por cima e leve ao forno até o peixe ficar cozinhado e as uvas um pouco murchas.


Descasque as batatas e parta em palitos (tipo gomos de laranja), descasque a abóbora da mesma forma e num tabuleiro com 1 colher se sopa de azeite, junte o sal, a especiaria da paella, e as folhas de alecrim, misture tudo muito bem com as mãos e coloque na prateleira de cima do forno.

No meio da cozedura, caso seja necessário, mude a ordem dos tabuleiros do forno ou baixe a temperatura. 

Retire e sirva com uma saladinha de agrião e tomate as uvas e a cebola.


Especiaria para paella e não só


Quando alguém vem a minha casa pela primeira vez, pergunta sempre a mesma coisa. Usas estas especiarias todas? Eu respondo, sim uso. Uso algumas só para determinados pratos, outras em misturas, mas de uma coisa é certa, acabo sempre por as usar. Não consigo ter coisas guardadas em casa que não goste ou use, isto acontece em tudo, odeio acumular tralha desnecessária. Eu sei que isto vindo de uma mulher pode parecer estranho, mas é a pura verdade. 

Há dias alguém me perguntou se eu usava a especiaria que colocam na paella. Apesar de raramente fazer paella, uso! Compro uma mistura óptima em Sevilla, que adoro :) Mas hoje trago uma que fiz em substituição, porque a de Sevilla já estava no fim. Esta mistura é um exemplo disso mesmo, uso-a em vários pratos, desde batatas, arroz, carnes, peixes, molhos e muito mais. 

Se a quiserem fazer, têm de ter em conta que vai dar uma cor alaranjada aos alimentos, um pouco à semelhança da especiaria usada na paella.

O conselho que eu dou quando ofereço uma especiaria a alguém, é para a usarem onde gostarem. Não se limitem a usar o caril só para fazer caril, inventem, criem! Ok, pode correr mal! Mas se assim for, na semana a seguinte mudam de estratégia.

Falando desta especiaria, adoro o toque que o louro dá à comida e acho que a paprika doce, dá um sabor meio fumado fantástico aos pratos. Se quiserem partir desta base, podem misturar outras especiarias que gostem, arrisquem!

Eu por exemplo, aquelas misturas já pré-feitas como garam masala ou caril, não as consigo comer. Levam sempre cominho ou cravinho, e infelizmente não suporto o cheiro nem o sabor destas duas especiarias. Essa foi a grande razão pela qual comecei a criar as minhas misturas, porque as de compra acabavam sempre por ir para o lixo. Agora consigo comer um caril ou usar garam masala à minha maneira e sem ficar mal disposta. Acreditem que estas experiências fizeram-me aprender e pesquisar muito sobre este mundo infinito das especiarias, que agora tanto me fascina.

Deixo-vos a minha nova experiência, para a semana mostrarei uma receita onde a usei para verem o resultado.

Boa semana!

Ingredientes: (15cl)
1 noz moscada
2 colheres de sopa de manjerona
2 colheres de sopa de ervas de provence
2 colheres de sopa de coentros em pó
2 colheres de sopa de paprika doce
4 colheres de sopa de açafrão das Índias
4 folhas de louro seco

Com uma faca pique o mais pequeno que conseguir as folhas de louro, rale a noz moscada e misture com as restantes especiarias num almofariz. Moa tudo muito bem durante uns minutos e sentirá um aroma fantástico. Guarde num frasquinho bem fechado e use quando bem lhe apetecer.

Eu como ando viciada é capaz de ser bem umas 3 vezes por semana.

Salada de batata doce, espinafres e maçã







Senti que o outono chegou nestes dois últimos dias, em que eu já não consegui sair de casa sem um casaco de malha, sempre adorei estes primeiros dias de outono. Há tanta coisa boa para comer nesta altura do ano, que ideias não faltam para novas receitas e também repetir as que só me arrisco a fazer por agora, como esta, que adoro e apesar de saber que existem castanhas congeladas à venda durante todo o ano, e eu, até sou adepta de congelar coisas para mais tarde consumir... mas confesso que as castanhas não consigo, prefiro sempre as da época.

Hoje é dia de batata doce, o meu marido odeia, mas lá tento assim levemente colocar em algumas receitas, mas com pouca sorte, porque ele acaba sempre por torcer o nariz e resmungar como fez nesta. Este método de fazer as batatas é fantástico, principalmente para quem, como eu, tenta não fritar nada em casa. Ficam super crocantes e nem se nota que não são fritas, acreditem. O método foi inspirado numa receita dos Green Kitchen Stories. A receita original podem encontrar no blog da Lia, já traduzida para Português.

Eu juntei às batatas, nabo cru, maçã, espinafres e aipo, reguei com um vinagrete rápido e acompanhei com um bife grelhado.

Acreditem que é uma salada que sabe a outono!



Ingredientes salada: 4 pessoas
1/2 nabo cru
1 maçã encarnada
2 batatas doce (médias)
2 colheres de sopa de azeite
1/2 colher de sopa de paprika doce
2 mãos cheias de espinafres (folhas)
1/2 talo de aipo (parte das folhas)

Ingredientes vinagrete: 1 dose
4 colheres de sopa de azeite
2 colheres de vinagre de cidra
1 colher de chá de mostarda Dijon
sal de alecrim q.b.
pimenta e mostarda em grão moída q.b.

Pré-aqueça o forno a 200ºC e forre dois tabuleiros com papel vegetal.

Lave bem as batatas e corte em rodelas com cerca de 4mm de espessura, ou como conseguir, eu coloquei as minhas no robot de cozinha para se mais fácil. Coloque as rodelas de batata numa taça, rege com o azeite, tempere com o sal, a paprika e misture tudo muito bem com as mãos.

Espalhe as batatas nos tabuleiros e leve ao forno por cerca de 25 minutos, ou até estarem estaladiças, virando-as a meio do tempo de cozedura.


Enquanto as batatas estão no forno, lave os espinafres e coloque-os num prato grande. Adicione o aipo picado, o nabo e a maça com casca, cortados (tipo Juliana). Para não oxidarem, depois de cortar a maça e o aipo, coloque-os numa taça com água fria.

Para o vinagrete, coloque todos os ingredientes numa taça/almofariz ou utensílio para molhos e mexa tudo muito bem, até ficarem todos os ingredientes bem interligados, prove, e caso necessário rectifique os temperos.

Entretanto retire as batatas doces do forno e deixe arrefecer numa rede.

Retire as maças e o nabo da água fria e seque a água em excesso com ajuda de um pano. Junte aos espinafres e às batatas doces e tempere com o vinagrete e um pouco mais se sal de alecrim, caso seja necessário.

Mexa tudo com as mãos e sirva acompanhar um peixe ou carne grelhada.

Arroz selvagem de cenoura e bifes de peru dourados









Sempre vivi na cidade, mas lembro-me em criança do meu pai ter uma pequena horta ao pé de casa, tive a sorte de comer legumes biológicos e fruta "verdadeira" durante a minha infância. Adorava passar as tardes depois da escola, na nossa pequena horta a brincar. Tempos depois, esses terrenos cheios de hortas viraram prédios, para tristeza de todos os vizinhos, que por lá cultivavam. Começamos a ir aos mercados e mercearias, mas a diferença no sabor não era tão grande como agora. O meu pai, no entanto, começou a fazer da nossa varanda virada ao sol, um pouco o que eu faço com a minha agora, uma mini horta, com ervas aromáticas e tudo o que ela me consegue dar - MALVADA não deu mirtilos!!! 

Tenho a sorte de os meus sogros terem uma grande horta, apesar de não a cultivarem o ano inteiro, no verão, trago sempre o carro carregado de coisas. Esta receita foi fotografada ainda no mês de agosto, com umas cenouras biológicas de lá, foi engraçado, ver a cara deles quando lhes disse que ia fazer uma receita com a rama da cenoura. 

Para dar um bocadinho de personalidade aos bifes, fiz-lhes um molho bem ao meu gosto, especiarias e mel - perfeição em duas palavras.


Ingredientes: (4 pessoas)
200g de arroz selvagem Oriente rice
1 cebola
2 cenouras com a rama
3 dentes de alho
1/2 colher de chá de coentros em pó
1 mão cheia de salsa fresca
sal, mostarda em grão e pimenta em grão q.b.

4 bifes de perú
1 colher de sopa de mel
1 ou 2 colheres de sopa de água
1/2 colher de chá de açafrão das Índias
1/2 colher de chá de harissa em pó
1/2 colher de chá de mostarda Inglesa em pó
1 colher de chá de mostarda Dijon
sal, mostarda em grão, pimenta em grão q.b.

Comece pelo arroz que é o que leva mais tempo a cozer. Rale as cenouras, pique a rama de uma delas e reserve. Pique a cebola com os alhos e leve ao lume, num tacho com um pouco de azeite. Refogue uns minutos e adicione metade da rama da cenoura, previamente picada. Deixe ao lume uns segundos sem deixar de mexer e junte o arroz e a cenoura ralada. Mexa tudo muito bem e adicione a água (usei 2 vezes/meia a medida do arroz). Deixe levantar fervura e tempere com sal, pimenta, mostarda e os coentros em pó, deixe cozinhar em lume brando e vá mexendo de tempo a tempo, para o arroz não se pegar.


Enquanto o arroz coze, tempere os bifes com um pouco de sal, pimenta e mostarda em grão de ambos os lados.

Numa caçarola prepare o molho para os bifes. Em lume brando, adicione as especiarias, juntamente com o mel e 1 ou 2 colheres de sopa de água. Mexa tudo muito bem e deixe levantar fervura, se vir que o molho está demasiado espesso, junto um pouco mais de água. Vai ficar um molho com uma cor dourada linda e um pequeno travo picante mas com o doce do mel pouco se vai acentuar.

Grelhe os bifes numa grelha e sirva com o molho bem quente por cima.

O arroz sirva com salsa fresca picada por cima e a restante rama da cenoura.


Tagine de batatas, espargos e ervilhas

Ao contrario da maioria das pessoas eu não sou viciada em viagens. Como sabem gosto muito de cozinhar receitas de vários continentes, mas só mesmo cozinhar. Já comentei várias vezes com amigos, que se me oferecessem a possibilidade de dar a volta ao mundo, recusaria. Ou antes, faria uma contra proposta e escolheria uns 5 países onde fazer férias, somente lá, até ao resto da minha vida. 

Claro que gosto de passear e passar férias como todas as pessoas do mundo. Mas não me cativa ir a países só por ir, ou só para dizer que fui, tirar a foto da praxe e depois voltar com um vazio no coração. O mesmo acontece com a musica, sou capaz de ouvir o mesmo álbum, durante um ou dois meses seguidos, sem me fartar.

Esta sou eu, não consigo gostar, só amar! Sou assim, um pouco com tudo na minha vida, inclusive com os países. 

No entanto, lembro-me desde a adolescência de ter uma grande vontade de visitar Marrocos. É aqui ao "lado" e até é um destino em conta. Mas as informações negativas acerca deste país, fizeram-me desistir vezes sem conta. Fui à Tunísia, gostei! Mas achei que faltava mais qualquer coisa. Lá consegui dar a volta ao meu Marmito (que não gosta muito da cultura árabe) e rumámos a Marrocos há dois anos. Escusado será dizer que foi a viagem da minha vida, adorei tudo... tive alguns azares na parte da alimentação, mas é normal e faz parte da aventura. 

Para quem não sabe tagine é o nome do prato gastronómico tradicional em diversos países árabes do norte de África. É também, o nome da panela especial utilizada na sua confecção. Esta resiste a temperaturas elevadas de cozedura e é dotada de uma tampa cónica, concebida de forma que todo o vapor condensado volte para o fundo da panela. Sem a tampa, a base pode ser levada para a mesa para o prato ser servido.

Infelizmente, nunca consegui comprar uma tagine, a vontade era muita mas para além de serem grandes, são muito pesadas para uma mala que só pode trazer vinte e poucos quilos. Acabei sempre por optar em trazer outras coisas que adoro e não se encontram cá à venda, mas a tagine foi ficando na minha lista de compras. 

Também já se conseguem encontrar algumas por cá à venda, mas sempre pensei que com uma panela normal o resultado seria o mesmo. Na verdade fica bom, podem comprovar neste post que fiz o ano passado. Mas cozinhar com uma tagine, tem toda uma magia e foi para mim, foi uma experiência fantástica a repetir.


Hoje, apresento-vos a tagine da Le creuset, não é linda? Estou perdidamente apaixonada, tanto que a tenho em exposição na minha cozinha, em vez de estar dentro do armário junto às restantes panelas cá de casa.

Dificilmente poucos devem ser os amantes de cozinha/foodies, que não conhecem esta marca. Estas panelas são usadas em muitos programas de TV e livros de culinária de chefs conhecidos, são uma perdição. É uma marca super resistente e com peças lindas de morrer e com cores que deixam qualquer um apaixonado.

Nos próximos meses, mostrarei as minhas peças preferidas desta marca. Podem consultar aqui algumas se ficarem curiosos. 

Agora chega de conversa e vamos à receita, que foi retirada deste livro que amo, como já era de esperar.

Ingredientes: (4 pessoas)
2 colheres de sopa de azeite
400 g de batatas pequenas com a pele
1 cebola 
4 dentes de alho
2 talos de aipo
8 espargos
3 colheres de sopa de azeitonas (usei com caroço)
1 colher de chá de gengibre
1 colher de chá de coentros em pó
1/2 colher de chá de Ras el Hanout (ou outra especiaria que goste)
sal q.b.
pimenta e mostarda de moer
250g de ervilhas congeladas
água q.b.
2 colheres de sopa de coentros frescos picados
1/2 preserved lemon (ou sumo+raspa de 1 limão)
1 1/2 de menta picada

Coloque a tagine ou uma panela em lume médio com o azeite, adicione as batatas com a casca e previamente lavadas, a cebola picada, os alhos picados e cozinhe entre 2 a 3 minutos. Junte o aipo, as azeitonas, o preserved lemon (caso não tenha, ignore esta parte) e deixe cozinhar por mais 2 a 3 minutos.


Adicione o gengibre, o coentro em pó, o ras el hanout, o sal, a pimenta e a mostarda de moer e por fim, as ervilhas. Regue com a água natural, suficiente, para cobrir os ingredientes e deixe levantar fervura. Assim que começar a ferver, baixe o lume, tape e deixe cozinhar por 15 minutos ou até os vegetais ficarem tenros. 

Junte os coentros e a menta picados grosseiramente e retire a tampa. Cozinhe por mais 10 minutos ou até o molho reduzir, sem deixar de mexer para que não se pegue ao fundo da tagine.

Se não usou o preserved lemon, adicione  agora o sumo do limão, salpique com mais umas gotas de azeite e sirva.

Pode acompanhar com um couscous, aromatizado ou simples.