Pão de alfarroba e Não-Tella da Mafalda Pinto Leite





Ainda há três semanas falava por aqui que adorava que existisse uma espécie de Bíblia da alimentação saudável, eis que o novo livro da Mafalda Pinto Leite aparece. Para quem a segue nas redes sociais, sabe que uma das grandes preocupações desta chef é a utilização de ingredientes saudáveis nas suas receitas, sempre com um respeito enorme pelos mesmos.

Neste livro, vão encontrar receitas fantásticas e dicas que vão ajudar bastante a quem procura uma alimentação saudável para toda a família. As duas receitas que trago foram feitas no domingo passado, cá por casa adorámos. Levei um pouco para a família, que nem notou a falta de açúcar refinado. 

Eu até podia estar aqui duas horas a escrever sobre o pão de alfarroba, sim, é bom. Façam, que não se vão arrepender. Fica um aroma fantástico na vossa cozinha e um pão muito fofo. Mas o Não-Tella não me saí da cabeça, posso descrever a primeira colherada em uma palavra - DIVINAL. Até me atrevo a dizer que é muito superior ao sabor do super mercado, que já é bem bom.

Eu acabei por deixar alguns vestígios de avelãs a mais, sem querer, mas não me importei nada porque às tantas parece que estamos a comer uma sobremesa e não uma pasta para colocar no pão, percebem-me, não percebem? :) Foi-se em três tempos. Acho que vou fazer desta receita umas belas prendas de Natal. 

Obrigada Mafalda, por este livro e pela simpatia.


Ingredientes pão: (6 a 8 pessoas)
1 pedaço de gengibre
1/2 chávena de tâmaras (sem caroço)
1 1/2 chávena de farinha de trigo
1/2 chávena de aveia
1 colher de chá de canela
1/2 colher de chá de cardomomo (usei do preto)
1/2 colher de chá de bicabornato de soda
3 colheres de sopa de alfarroba
1 ovo, ligeiramente batido
1 chávena de leite vegetal (eu usei iogurte natural)
1/2 colher de chá de vinagre de cidra
1/4 de chávena de azeite ou óleo de coco (eu usei a 2ª hipótese)
1/2 chávena de xarope de ácer (maple syrup)
1 colher de chá de extracto de baunilha

Aqueça o forno a 180º. Forre uma forma de pão ou bolo inglês com papel vegetal. Reserve. Coloque o gengibre e as tâmaras num robô e pique até obter uma pasta. Reserve.

Numa tigela grande misture a farinha, a aveia, as especiarias, a soda e a alfarroba. Numa tigela média misture bem o ovo, o leite, o vinagre, o óleo de coco, o maple syrup e a baunilha. Junte esta mistura à tigela com farinha e adicione a pasta de tâmaras. Incorpore tudo sem mexer de mais (para não tornar o pão massudo).

Deite para a forma previamente preparada e leve ao forno por 30 a 40 minutos ou até estar cozinhado no interior.


Ingredientes Não-Tella: (1 e 3/4 de chávena)
1 1/2 chávena de avelãs torradas sem pele*
1/4 de chávena de cacau ou alfarroba em pó (Usei metade de cada um)
1/4 chávena de adoçante a gosto
1 vegem de baunilha
2/3 de chávena de óleo de coco

Coloque as avelãs num robô e pique até obter migalhas muito finas, quase pó (eu acho que não fiz esta parte muito bem, por isso, deixem bem picadinho). Junte os restantes ingredientes e bata uns bons 5 minutos (ou mais) até obter uma mistura cremosa.
Se quiser uma consistência mais líquida, do tipo "molho", junte mais óleo de coco.




* Para quem como eu, não tinha em casa avelãs sem pele, pode colocar uns minutos numa frigideira anti aderente, e nota logo parte da pele a saltar. Caso deixem pele agarrada, acho que não vai estragar a vossa receita, a minha pelo menos não estragou.

Limonada de amoras e mirtilos



O post de hoje é muito especial para mim, não pela receita em si  (trata-se de uma simples limonada) mas, porque em cinco anos de blog só houve uma outra ocasião em que publiquei uma receita que não era minha. Podem encontrar essa receita aqui, já tem alguns anos e, foi uma criação do meu marido que, das poucas vezes que cozinha, consegue que fique sempre delicioso. 

Hoje a cozinheira em destaque é a minha sobrinha Catarina de 8 anos. 

Antes das férias do verão, estávamos reunidos aqui em casa e para acompanhar este bolo, sugeri-lhe que fizéssemos uma limonada.

Ela, rapidamente foi agarrar numa cadeira e dirigiu-se à bancada, cheia de energia. Disse-lhe a fruta congelada que tinha para ela puder escolher e ajudei-a com as quantidades. O resto ela fez tudo sozinha, até foi buscar as folhas de manjericão à minha varanda.

Sinceramente não pensei em pôr a limonada no blog, mas ela, tanto insistiu que lá acabei por ceder. Foi inclusivé escolher o pano, as tábuas, as palhinhas e este é o resultado final. 


A Catarina é a única sobrinha (menina) que tenho, apesar de ser tia já desde o ano e meio de idade (é o que dá ser a irmã mais nova e que nem era para ter vindo). Os meus sobrinhos eram rapazes e nunca gostei que me chamassem de tia, porque éramos todos praticamente da mesma idade mas, esta menina veio dar uma grande alegria à família pois chegou na altura certa para todos nós. Revejo-me muitas vezes nas suas brincadeiras, pois ela é também completamente fanática pelo imaginário dos vampiros e bruxas, e, ao mesmo tempo adora o cor-de-rosa.

Como eu sei que ela já sabe ler, gostava muito de lhe dizer que é a "víbora" mais fofinha que eu conheço e que espero um dia, daqui a muitos anos, ser eu a beber esta limonada na sua casa.



Ingredientes (1 litro)
1 limão
60g de amoras (usei congeladas)
60g de mirtilos (usei congeladas)
800ml de água fresca
3 colheres de sopa de açúcar de coco
6 folhas de majericão

Colocar na bimby/liquidificadora o limão cortado em 4 partes (com casca), os mirtilos, as amoras  e a água. Pressionar no botão turbo ou na velocidade máxima durante 1 minuto.



Coar tudo com um passador bem fino e colocar numa jarra. Adicionar o açúcar ou adoçante (como preferir), por fim o gelo e as folhas de manjericão.

Levar ao frigorifico até servir e adicionar mais uns cubos de gelo se necessário.

Puré de tomate


Este ano nas férias comi pratos tão simples que me deixaram a pensar, mas porquê que eu em casa nunca me lembrei de fazer isto, porquê? 

Esta "entrada" que pode também servir como acompanhamento é um bom exemplo do que falo. 

No menu do restaurante, que estava na língua de origem, vi uma entrada que me pareceu ser muito boa. Perguntei ao empregado o que levava, logo me disse, batata e tomate (e com as mãos fez um gesto de ser muito bom). Não hesitei e mandei vir, não fosse eu uma "tomate lover". Não sei se era da fome que tinha ou se foi simplicidade da entrada, que ao dar a primeira garfada, lembro-me de dizer ao meu marido - Ai meu Deus, que maravilha! Achei uma perfeição e jamais esquecerei do sabor daquela primeira garfada.

Sou daquelas pessoas que adora provar tudo, não me importo de ir ao prato do meu marido no meio de um restaurante e provar a comida dele (sei que há pessoas que odeiam isso), mas eu cá não me importo que me façam o mesmo. E quando são pratos que desconheço, os primeiros minutos são a decifrar que ingredientes levam é um vicio que tenho desde criança.

Foi o que aconteceu com este prato, ao regressar a Portugal, lembro-me de vir no avião a pensar nas receitas que queria reproduzir cá em casa, esta sem dúvida, tinha de ser a primeira, por ser tão simples e ao mesmo tempo tão reconfortante.

Não sei se a receita está correcta, ou se terá algum ingrediente que eu ao provar na altura não decifrei. Fiz um pouco à minha maneira, mas o sabor até ficou parecido, porque igual, acho que só mesmo lá voltando. Quem sabe um dia :)



Ingredientes: (4 pessoas/entrada)

3 batatas grandes
1 cebola
1 folha de louro
5 dentes de alho
(400g) 1 lata de tomate em pedaços
q colher de sopa de açúcar mascavado
sal de aipo, azeite, pimenta q.b.
10 folhas de manjericão fresco

Numa panela com água coloque, uma folha de louro, uma pitada de sal e um fio de azeite coza as batatas sem a casca.

Leve ao lume uma caçarola/frigideira com um fio de azeite, os 4 dentes de alho partidos e a cebola cortada às rodelas. Salteie até a cebola ficar translúcida e junte o tomate. Se preferir, use tomate fresco, mas tem de lhe tirar previamente a casta e convém que seja bem maduro. Eu usei em lata, porque o que comi no restaurante era de lata e eu queria aproximar ao máximo ao original. Deixe cozinhar uns 8 minutos ou até a água do tomate evaporar e junte o açúcar, o sal, e a pimenta.

Entretanto, depois de cozidas retire do lume as batatas, retire a folha de louro e deixe a escorrer-as num coador durante uns minutos, para que fiquem bem secas.


Coloque o preparado do tomate na bimby/liquidificadora e passe tudo até que fique em liquido. Com ajuda de um esmagador de batatas, esmague grosseiramente as batatas e pouco a pouco adicione o liquido, envolvendo tudo com uma colher de pau. Verifique os temperos e sirva com umas pingas de azeite e pimenta de moer por cima.

Coloque as fatias de pão a torrar e num almofariz coloque 1 dente de alho, as folhas de manjericão frescas e 1 colher de sopa de azeite, pique tudo até se formar uma pasta e depois do pão estar torrado, pincele com a pasta.

Sirva tudo ainda quente como uma entrada com o pão torrado ou acompanhar carne ou peixe, se preferir.

Bolo de maçã e canela

Desde que comecei este blog em 2009, noto uma grande diferença no que toca à venda de produtos saudáveis. Nos últimos 2 anos tem sido um tema muito falado, ora há livros, nutricionistas famosos, blogs, Facebook e Instagram, todos eles com informação sobre o que realmente é bom ou não para a nossa saúde e perder peso de uma maneira saudável. Sou sincera, que há alturas em que não sei para onde me virar, muitas vezes, até sinto dificuldade em perceber o que é mesmo correcto ou até verdadeiro. Já disse isto muitas vezes na brincadeira, mas era bom termos uma espécie de Bíblia, onde cada vez que tivéssemos uma dúvida, bastava consultar e pronto.

Tentamos não comer mal cá por casa, fazemos muitos legumes, muitas saladas (porque adoramos). Nunca fritamos nada (deixamos essas coisas para as idas ao restaurante) e evitamos comprar sumos de pacote, porque na realidade até gostamos mais dos naturais, feitos na hora. Mas nunca conseguiria cortar em certas coisas, o pão por exemplo - ADORO, Também um bolinho aos domingos ou umas bolachas, sejam elas doces ou salgadas... e os meus suspiros/pavlovas/tudo o que leve claras e açúcar, são a minha perdição. Admiro muito quem corte no açúcar ou nos hidratos de carbono e consiga fazer uma alimentação sem grandes exageros. Mas eu, sou uma pecadora por natureza e custa-me muito privar destes pequenos pecados mesmo, que só de vez enquanto.

Comprei este livro por curiosidade, um pouco para perceber como se fazem bolos sem glúten, já o tenho algum tempo e gosto muito desta receita em particular. Se é saudável? Não sei, eu gostei e como o tempo anda assim a "modos" para o castanho/acinzentado/ora chove/ora faz sol. Decidi que era uma boa altura para o partilhar com todos vocês.


Ingredientes:
240g de farinha sem glúten (eu como não tinha usei integral)
31/2 colher de chá de fermento
1 colher de chá de canela
1/2 colher de chá de sal fino
475ml de puré de maçã cozida
120ml de xarope de beterraba/mel ou outro adoçante que goste.
80ml de leite
75 g de arandos secos

Pré aqueça o forno a 180º.

Junte a farinha com o fermento numa taça, adicione o sal, a canela e misture tudo com as mãos. Depois de bem misturado, abra um buraco no meio da massa (onde mais tarde vai colocar os ingredientes líquidos) e reserve.

Numa taça junte o puré de maçã (pode usar sumo de maçã, mas eu como tinha cá muitas maçãs acabei por fazer o puré, guardei parte do puré, para fazer uns iogurtes e o restante foi para o bolo, não usei açúcar). Misture com o xarope de beterraba ou adoçante, o leite e junte aos ingredientes secos pouco a pouco, sem parar de mexer e por fim adicione os arandos secos.

Forre uma forma para bolos de 22/23cm com manteiga e farinha (vai ficar uma mistura muito húmida, no livro até dizem que não é necessário forrar, mas eu como sou teimosa, forrei) e leve ao forno durante 40 minutos, ou até que o teste do palito esteja ok. Caso sinta que o bolo está a queimar um pouco e ainda não está cozido na totalidade, cobre com papel alumínio até cozer e não queimar demasiado a parte de cima.


Que tenham uma boa semana, com ou sem açúcar refinado :)

Receita retirada do livro: The Gluten-Free Baker

Creme de espinafres e gengibre





Sinto que este ano o verão passou-nos ao lado, ontem em Lisboa choveu como num mês de Abril. Mas acreditem que eu até acho uma certa piada este clima tropical. Quando cheguei de férias, tinha as minhas ervas aromáticas meias murchas, esta chuva parece que lhes deu uma nova vida, ainda ontem reparei que estão a crescer cada vez mais. Como diz a minha mãe, o mal de uns é o bem dos outros.

Hoje, trago um creme muito leve que é óptimo para dias assim, que chovem e fazem sol. Tinha comprado uma broa de milho, que acabou por ficar uns dias a mais cá por casa e decidi fazer uns croutons com manjericão e alho e finalizei com um queijo que trouxe das férias para ficar mais cremoso.



Espero que esta semana traga uns raios de sol para alegrar a maioria, caso não aconteça, as minhas ervas aromáticas agradecem.

Ingredientes: 6 pessoas
200g de batata
1 cenoura
1 cebola
2 dentes de alho
1/3 de um talo de aipo fresco
100g de folhas de espinafres
2 colheres de chá de gengibre
azeite q.b.
sal q.b.
4 fatias de broa de milho
5 folhas de manjericão fresco
1 colher de sopa por tigela de queijo Caillé de Brebis (ou queijo fresco)

Numa panela ou na bimby coloque, a cebola, os dentes de alho, o aipo, um fio de azeite e deixe refogar por uns minutos de seguida, adicione as batatas cortadas em cubos, a cenoura, os espinafres e cubra com água. Deixe levantar fervura e cozer bem os alimentos, e só então, adicione o sal, o gengibre (eu usei gengibre seco - porque se aguenta muito bem em casa, pode usar em pó que faz o mesmo efeito. Caso use o gengibre fresco, tenha cuidado que é um pouco mais forte).


Enquanto o creme coze, parta as fatias da broa de milho em pedaços pequenos, e leve ao lume com um fio de azeite, 1 dente de alho partido em pedaços pequenos e as folhas do manjericão frescas e partidas. Deixe saltear e absorver bem o sabor do majericão e do alho. Reserve até servir o creme.


Depois dos legumes cozidos, passe tudo muito bem até ficar um creme aveludado, coloque um fio de azeite e rectifique os temperos, leve mais 5 minutos ao lume e desligue.


Sirva a sopa com os croutons e o queijo, o queijo que eu usei é um queijo fresco de ovelha muito cremoso cremoso, que pode ser substituído por um qualquer queijo fresco/cremoso a gosto.